26 de ago de 2010

O teatro como meio de conhecimento

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O Teatro sempre foi, de todas as artes, a mais dinâmica, a mais direta, a mais real e a mais viva.

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Cada representação é única, pois depende, sempre, do estado psicológico dos atores, no ato de representar, e do estado psicológico dos espectadores, no ato de assistir.

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O Teatro tem que questionar a realidade que o originou. Se não questionar, perde a significação e o propósito. Uma representação teatral não pode ser mais, somente, uma forma de diversão ou de prazer. Nem, tampouco, uma forma de comunicação a serviço de uma ideologia. Ou uma discussão existencial. Não há mais como provocar catarses. A angústia esgotou todas as catarses.

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Por ser uma formulação artística intrinsecamente associativa, o Teatro deve exigir que espectador seja um elemento participante. Na medida em que o espectador participa, questiona e é questionado. E, questionando e sendo questionado, o espectador tem condições de se transformar e transformar a realidade que o cerca.

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Hoje, o Teatro não questiona. Apenas mostra. E quanto mais imagem e mais símbolo, mais espetáculo e mais projeção. A maioria das montagens são feitas, apenas, para serem vistas. Como se fossem monumentos ou paisagens. Coisas. E fazer teatro para mostrar coisas é fazer do Teatro também uma coisa.

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Os meios de comunicação tornaram o mundo tão pequeno, que os homens estão nas portas de todas as casas e podem conversar com todos os moradores. Mas a comunicação é inversamente proporcional à comunicabilidade. Quanto mais informações me fornecem menos eu me comunico. Mais dirigido me sinto.

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Com o mundo menor do que a Abdera onde nasceu Protágoras, dizem-me que estou no centro de tudo. Que posso saber tudo. Mas eu não sei. Sei, apenas, o que e como . O que está acontecendo e como está acontecendo. Mas por que está acontecendo?

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Estou na esquina da minha rua. Dois homens se cruzam e soa um tiro, e um deles cai morto na calçada. A cena me mostra, imediatamente, duas coisas: o que aconteceu e como aconteceu.

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Mas não me diz o que eu mais quero saber: por que aconteceu.

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Se eu conhecesse os motivos que levaram um daqueles homens a matar o outro, se eu soubesse por que foi praticada aquela morte, saberia tudo. Saberia não só o que aconteceu e como aconteceu, mas conheceria também a verdade daqueles homens.

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Só o por que me permite saber todos os motivos e todas as causas. Conhecendo apenas o que e como poderei, no máximo, supor motivos e supor causas.

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No por que um daqueles homens puxou o gatilho do revólver estão embutidos todos os motivos e todas as causas que determinaram aquela morte.



CUNHA DE LEIRADELLA
APONTAMENTOS PARA UM TEATRO DE QUESTIONAMENTO

http://triplov.com/leiradella/apontamentos/index.html

24 de ago de 2010

DESCOBERTAS

No final de semana rolou a Mostra Compartilhamento de Processos do Projeto Ademar Guerra no Espaço dos Notívagos. Abrimos as portas do local de ensaio para compartilhar com os interessados nosso processo de trabalho. Aparentemente em Botucatu não existem muitas pessoas interessadas em saber como nós trabalhamos ou em discutir teatro. Ou a festa no Espaço Cultural estava muito boa. De qualquer maneira, os poucos que por lá apareceram puderam ouvir um pouco sobre como foi o processo de montagem das peças Ana Rosa, Mirabelli e Frei Fidélis até aqui. Depois do bate-papo apresentamos uma de Frei Fidélis e a peça Ana Rosa.







Depois do evento nós tivemos uma longa conversa com nosso orientador do Projeto Ademar Guerra sobre o que realmente fazemos ali no andar de cima do número 181 da Rua Pedro Amando de Barros. A conversa trouxe muitas descobertas e questionamentos. E apontou que uma atitude é premente.

20 de ago de 2010

MOSTRA COMPARTILHAMENTO DE PROCESSOS TEATRAIS



A Associação Teatral Notívagos Burlescos é um dos 29 Grupos de Teatro, de 27 cidades, que abrirão seus espaços de trabalho no mesmo dia e na mesma hora para compartilhar com o público procedimentos e vivências de seus processos teatrais.
O evento acontece no próximo domingo, 22 de agosto, às 18h, no Espaço dos Notívagos, Rua Pedro Amando de Barros, 181. Entrada Franca!

A MOSTRA
Programa de Estímulo ao Teatro no Interior do Estado, o PROJETO ADEMAR GUERRA realiza, no dia 22 de agosto, domingo, às 18h00, uma mostra de seu trabalho de orientação artística junto aos grupos do interior, com a participação simultânea de 29 grupos de teatro, em 27 cidades diferentes do Estado de São Paulo. Neste dia, os grupos desenvolverão uma atividade, aberta ao público, de compartilhamento de seus processos teatrais. Antes, porém, já no dia 21 de agosto, todos os grupos, junto ao respectivo orientador artístico do Projeto Ademar Guerra 2010, estarão fazendo trabalhos intensivos, de imersão, em suas próprias cidades. Este trabalho culminará com a abertura para o público, às 18hs do dia 22, em uma atividade compartilhada, mediada pelos orientadores do projeto. Casa aberta, ensaio aberto, dia de visita, momento de encontro, onde o público da cidade pode ser recebido no próprio espaço interno de trabalho do grupo, assistir e/ou até mesmo participar, de uma atividade de seus procedimentos teatrais, seguida de uma troca de idéias e impressões. Esta atividade aberta, realizada ao mesmo tempo, no mesmo dia e horário, por todos os grupos, potencializa uma poderosa energia coletiva de trabalho, uma rede de compartilhamento e encontro em diversos pontos do Estado, gerando, ao mesmo tempo, uma força de projeção e inserção dos próprios grupos em suas cidades.

OS GRUPOS
Os 29 grupos que participam deste compartilhamento foram selecionados, no início deste ano, entre 71 inscritos para participar da edição 2010 do Projeto Ademar Guerra. Representam, em grande parte, a diversidade de trabalhos, linguagens e processos teatrais existentes no interior do Estado. Seus trabalhos partem de temas inspirados em aspectos da cultura popular, em linguagens da tradição como commedia dell´arte, circo, teatro de rua, em histórias reais colhidas em suas próprias cidades ou em experimentações de linguagens associadas a espaços não convencionais, num processo de construção de dramaturgia própria. Também partem de uma dramaturgia mais conhecida, utilizando, geralmente como releitura, a obra de dramaturgos consagrados como W. Shakespeare, Bertolt Brecht, Nelson Rodrigues, Luiz Alberto de Abreu, entre outros. No cartaz encontra-se uma lista dos grupos contemplados nesta edição, os projetos que desenvolvem atualmente, a cidade onde atuam e o local onde acontecerá o Compartilhamento.

O COMPARTILHAMENTO DE PROCESSOS
Alguns dos 29 grupos participantes do projeto já estrearam seus espetáculos em suas cidades. Alguns encontram-se às vésperas de suas estréias e outros estão ainda em processo de pesquisa. A Mostra Compartilhamento de Processos Teatrais do Projeto Ademar Guerra 2010, não é, no entanto, uma “Mostra de Espetáculos”. Estes, os grupos seguirão mostrando, em suas cidades e em outros locais. Esta Mostra consiste num compartilhamento de processos e traduz as profundas reformulações conceituais promovidas na concepção do projeto nos últimos dois anos, cuja principal característica é a priorização dos aspectos pedagógicos com recorte para a verticalização da idéia de “processo”, mais do que de “resultado”. Este conceito é desenvolvido e trabalhado ao longo do ano, através do processo de orientação artística oferecido pelo projeto, incentivando nos grupos a experimentação, identificação e reflexão sobre seus processos de trabalho, antes de se partir para a elaboração dos resultados de suas pesquisas, traduzidos na montagem de seus espetáculos.

A QUESTÃO DO PÚBLICO
Há no Estado de São Paulo, vários festivais e mostras de teatro que conservam ainda a estrutura de competição e premiação. “Fazer para mostrar fora”, montar espetáculos, ou mesmo processos, com “estilo para mostra ou festival” é uma cultura bastante entranhada em grande parte dos grupos em atividade no estado. Tal perspectiva está baseada na idéia de que o reconhecimento obtido fora de seu local de origem, serve de estímulo interno e de valorização externa do trabalho do grupo em sua própria cidade. Isto não deixa de ser verdade, mas, por vezes, acaba gerando um distanciamento do grupo de sua própria comunidade.
A questão do público é um dos focos do Compartilhamento em 2010. A atividade do dia 22 é aberta para quem quiser assistir, mas cabe aos grupos o desafio de descobrir e alcançar seus possíveis públicos específicos para este momento de compartilhamento: pessoas que, de alguma forma, possam estar ligadas ao processo, possam colaborar com a pesquisa do grupo, possam ter alguma coisa a ver com a história que o grupo está contando; professores, intelectuais, artistas da cidade; pessoas que nunca foram ao teatro; grupos de adolescentes, idosos e crianças; grupos ou pessoas interessadas em viver uma experiência teatral; potenciais e futuros integrantes para o próprio grupo e etc., ampliando, assim, as possibilidades de interlocução para além de seu público habitual.

O PROJETO ADEMAR GUERRA – 13 ANOS
Criado em 1997, o projeto tem como objetivo principal propiciar orientação artística especializada a grupos teatrais em atividade no interior. Esta orientação se dá através da contratação e envio de profissionais de teatro (orientadores artísticos) para atuarem junto aos grupos selecionados, num processo pedagógico de acompanhamento de seus processos de pesquisa e/ou montagem de espetáculos. É realizado pela Secretaria de Estado da Cultura, através da ASSAOC – Associação Amigos das Oficinas Culturais do Estado de São Paulo. O nome do projeto homenageia o grande diretor de Teatro Ademar Guerra, falecido em 1993.

O PROCESSO DE ORIENTAÇÃO ARTÍSTICA DO PROJETO
O orientador artístico do Projeto Ademar Guerra é um profissional de teatro (diretor, ator, dramaturgo, professor, etc.) com experiência, tanto na atividade artística, quanto em atividades de formação. Entre os meses de abril e novembro, duas vezes por mês, a cada quinze dias, este profissional visita o grupo em sua cidade, estabelecendo, com o diretor e o grupo, um diálogo de acompanhamento em seu processo de pesquisa e/ou montagem de espetáculo. Este profissional é responsável por estimular, provocar e orientar o grupo, priorizando o trabalho coletivo, o acesso aos procedimentos criativos em teatro, a busca de autonomia tanto artística como de produção, sempre respeitando as características da proposta de trabalho desenvolvida pelo próprio grupo.

EQUIPE DO PROJETO
Em 2009, o projeto passou por uma profunda reformulação administrativa e conceitual. Para elaborar esta reformulação e assumir a coordenação do projeto, a Secretaria de Estado da Cultura convidou o diretor teatral Abílio Tavares. Esta reformulação consistiu na constituição de uma equipe pedagógica para acompanhar e avaliar o projeto, coordenada, em 2009, pela atriz, diretora e pedagoga Maria Tendlau e, em 2010, pela atriz e diretora Miriam Rinaldi. A escolha dos grupos e contratação da equipe de orientadores de cada edição são feitas a partir da abertura de processo público de seleção, visando, principalmente, propor aos grupos uma discussão atual sobre a relação existente entre linguagem e discurso, contidos em seus processos de pesquisa e/ou montagem de espetáculos.

SOBRE ADEMAR GUERRA (1933 - 1993)
Ademar Guerra foi um dos grandes encenadores da cena brasileira, com uma produção diversificada, que se estendeu também para espetáculos de dança, música e séries para televisão. Nasceu em Sorocaba e iniciou sua carreira no teatro amador de Campinas na década de 50, onde dirigiu seu primeiro espetáculo. Seu trabalho era focado especialmente na busca de uma coerência entre a linguagem e o discurso de seus espetáculos e o respeito à primazia do ator na cena.


MAIORES INFORMAÇÕES
(11) 2292-7711/2292-7071 - Ramais: 218 e 220
(11) 8316 9875 – Abílio Tavares (Coordenador Geral do Projeto)
(11) 7889-2856 – Michelle Gonçalves (Produtora do Projeto)

13 de ago de 2010

NO MÊS PASSADO E NA SEMANA QUE VEM

Já estamos no meio de Agosto e não rolou ainda o registro aqui no blog das atividades que rolaram no Espaço no dia 17 de julho. No fim das contas não fizemos um mega inauguração. Fizemos apresentações para convidados e amigos, mais como um exercício de como o Espaço pode funcionar. Uma pré-inauguração, digamos.
Às 18hs fizemos uma leitura dramática do texto “O baterista de jazz”. Bruno Carboni, o autor do texto, dirigiu Débora Lopes, Carol Galvani e Juliana Sapadot na leitura.Esse sábado, aliás, foi o último dia do Bruno com a gente. No dia seguinte ele partiu pra Assis em missão de conclusão de seu curso superior de História.



Duas horas mais tarde rolou um “revival” de Dorotéia e os Farsantes. E mesmo sem treinar nos últimos meses o pessoal mandou bem nos improvisos.


Logo depois os assentos do espaço foram reconfigurados e tivemos a estréia da peça “Um ventre para a solidão” com o Núcleo Titãs. No elenco Johnny Faustino, autor do texto, Rodrigo Ribeiro, Danilo Batista e Felipe Pascussi.


Pra fechar a noite tivemos palco livre para que todos os presentes pudessem apresentar o que bem entendessem. O Johnny foi o mestre de cerimônias e teve música, cenas, improvisos, poesia, piadas... Esperamos em breve repetir a experiência e fazer do palco livre uma prática freqüente.


Pra quem não pode ir em julho, neste mês temos atividade aberta ao público também! Dia 22 de agosto o Espaço dos Notívagos abre as portas para a comunidade e realiza a Mostra de Compartilhamento de Processos do Projeto Ademar Guerra. A mostra é um evento estadual que será realizado no mesmo dia e horário nas 27 cidades participantes da edição 2010 do Projeto Ademar Guerra da Secretaria de Estado da Cultura. Esse encontro é uma oportunidade para o público conhecer nosso espaço de trabalho e assistir uma atividade seguida de troca de idéias e impressões. Falaremos sobre o processo de criação das peças da Trilogia da Fé (Ana rosa, Mirabelli e Frei Fidélis) com apresentações de cenas e registros de ensaios e apresentações realizadas nos últimos cinco anos. O encontro será mediado pelo nosso orientador artístico Rudifran Pompeu, ator, diretor e dramaturgo do grupo Redimunho de Investigação Teatral. Apareçam por lá:

MOSTRA DE COMPARTILHAMENTO
DE PROCESSOS ADEMAR GUERRA

Espaço dos Notívagos
Rua Pedro Amando de Barros, 181, Bairro Alto
22 d agosto, 18hs
ENTRADA FRANCA!

ANA ROSA, criação de cenas em 2005

MIRABELLI, criação de cenas em 2007

FREI FIDÉLIS, criação de cenas em 2010