24 de dez de 2013

CINECLUBE FECHANDO 2013


O Cineclube Notívagos Burlescos encerra as atividades do Ponto de Cultura Espaço dos Notívagos com a exibição da série "O teatro segundo Antunes Filho", série documental sobre a trajetória de um dos mais importantes diretores de teatro do Brasil. A série será exibida em três dias, 27, 28 e 29 de dezembro, sempre às 20 horas e com entrada franca. Cada dia de exibição contará com dois episódios da série, seguidos do tradicional debate a cerca da obra. O evento conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Botucatu e do Ministério da Cultura através do programa Cultura Viva.


A SÉRIE

Nos seis episódios de "O teatro segundo Antunes Filho" temos um passeio sobre as cinco décadas de trabalho que José Alves Antunes Filho percorreu até chegar aos conceitos de interpretação que emprega hoje, aos 71 anos, no Centro de Pesquisa Teatral (CPT) e em espetáculos como Medéia e Prêt-à-Porter 4, atualmente em cartaz. 

O documentário surgiu de uma idéia inicial do sonoplasta Raul Teixeira, que trabalha com Antunes por muitos anos. Decidido a eternizar os exercícios e a forma de concepção do diretor, Teixeira registrou os ensaios em vídeo, mesmo contrariando, em alguns momentos, o próprio Antunes. "Ele colecionou um material valiosíssimo, mas infelizmente sem qualidade técnica para ser utilizado no documentário", comenta Amílcar M. Claro, diretor do projeto, que, inicialmente, previa a realização de um longa-metragem. "Não conseguimos, porém, captar os recursos necessários." 

O projeto viabilizou com a entrada da STV, que aceitou o formato de minissérie. A captação ocorreu entre junho e dezembro de 2001, quando a equipe gravou entrevistas com Antunes durante dois dias inteiros, além de registrar o trabalho no CPT. A maioria das imagens de arquivo foi conseguida na coleção particular de Antunes e as cenas das peças foram cedidas pelo Sesc. "Eles mantêm gravado todo o trabalho realizado no Teatro Anchieta", conta Amílcar. 

Irascível em alguns momentos, carinhoso em outros, Antunes comenta a própria história, desde o nascimento em São Paulo, filho de pais portugueses, passando pela descoberta do cinema ("Joana d´Arc, do Dreyer, me fez chorar, tamanha a força da imagem") até iniciar no teatro, em 1949, no Centro Acadêmico Horácio Berlinck. A entrevista é conduzida por Sebastião Milaré, crítico de teatro e autor de Antunes Filho e 
a Dimensão Utópica, uma análise bem acurada do método do diretor. "Foi graças à cumplicidade existente entre ambos que conseguimos momentos emocionantes", comenta Amílcar. 

Antunes relembra, por exemplo, sua passagem pelo Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), na década de 50, quando trabalhou com Ziembinski, Ruggero Jacobbi e Luciano Salce, entre outros, e também a estréia como diretor profissional, montando Week End, de Nöel Coward, em 1951. As lembranças de Antunes são complementadas por depoimentos de atores e técnicos que participaram daqueles momentos, como Eva Vilma, Laura Cardoso, Raul Cortez, J.C. Serroni, Cacá Carvalho, Lígia Cortez, Marlene Fortuna e Giulia Gam até chegar aos atuais parceiros, como os atores Juliana Galdino e Emerson Danesi. 

Sinopses dos episódios e os dias em que serão exibidos:


DIA 27, SEXTA-FEIRA, 20HS

01 – AS ORIGENS DE UM ARTISTA (53 min.)
Nascido 1929 no bairro do Bexiga, em São Paulo, Antunes Filho era um menino irrequieto, briguento e vivia sempre metido em confusões. Ele mesmo narra esse período, até o momento em que foi trabalhar na prefeitura e conheceu Osmar Rodrigues Cruz, que dirigia um grupo amador, onde Antunes teve sua primeira experiência no palco, como ator. O depoimento de Antunes, permeado de imagens da época e de atores em exercício no Centro de Pesquisa Teatral, o CPT, com intervenções de Osmar Rodrigues Cruz, Eva Wilma, Raul Cortez e Laura Cardoso, reconstitui sua trajetória nos primeiros tempos. As influências do cinema, o ingresso na recém-inaugurada televisão, tornando-se um dois primeiros diretores de teleteatros no país, o estágio como assistente de direção no TBC, trabalhando com Ziembinski e os famosos encenadores italianos. O programa enfoca o início da carreira profissional e os primeiros sucessos de Antunes no teatro, registrados ainda nos anos 50, com o Pequeno Teatro de Comédia.

02 – A DÉCADA DAS TRANSGRESSÕES (53 min.)
Em 1960, voltando da sua primeira viagem à Europa, onde conheceu o teatro de Bertolt Brecht com As Feiticeiras de Salém, Antunes começa a contestar o realismo que imperava em nosso teatro. Ele cria uma série de espetáculos, pesquisando novas linguagens, culminando o seu mergulho nas essencialidades do teatro com Vereda da Salvação, em 1964, e A Falecida, ano seguinte. Apesar da situação inóspita estabelecida pela ditadura militar, Antunes desenvolve pesquisas baseadas na arte do ator, encerrando o período com extraordinária montagem de Peer Gynt, em que discute a alienação. As atividades nos anos 60 são narradas por Antunes, com imagens da época e intervenções dos atores Raul Cortez, Eva Wilma, Laura Cardoso e dos críticos Alberto Guzik e Sebastião Milaré.


DIA 28, SÁBADO, 20HS

03 – DESAFIOS DE UM TEMPO DURO (52 min.)
Sentindo-se vítima de patrulhas ideológicas, Antunes realiza espetáculos comerciais, deixando de lado suas pesquisas estéticas no teatro. Porém, as desenvolve no cinema e na televisão. Realiza um filme vigoroso, abordando o preconceito racial e, na TV Cultura, trabalha sobre obras de autores brasileiros, constituindo brilhante linguagem de vídeo. Em 1976, percebendo os novos ventos da situação política, que indicam abertura democrática, inicia um processo que o tornará nome importante no teatro internacional, elaborando a versão cênica de Macunaíma. Entre imagens fotográficas, documentários e cenas de obras realizadas, Antunes fala dos desafios desse período com intervenções dos atores Raul Cortez, Eva Wilma, Cacá Carvalho, Walter Portela e do crítico Sebastião Milaré.

04 – MESTRES E DISCÍPULOS (54 min.)
Paralelamente às viagens de Macunaíma pelo mundo, avançam as pesquisas estéticas de Antunes com os atores. Em 1982, o Grupo é acolhido pelo Sesc São Paulo, que institui na unidade Consolação, o CPT – Centro de Pesquisa Teatral. O processo se amplia com a introdução da psicologia analítica, do taoísmo e, mais tarde, da nova física. Tem início a pesquisa sistemática de novo método para o ator e, desse trabalho, vão surgindo espetáculos vigorosos, inovadores e de grande beleza que viajam por dezenas de países e consolidam o prestígio de Antunes entre os mais importantes mestres do teatro contemporâneo. O processo é comentado por Antunes, com intervenções dos atores Marlene Fortuna, Luis Melo, Lígia Cortez, Rita Martins, Giulia Gam, Geraldo Mário e Raul Cortez, pela pesquisadora norte-americana Campbell Britton e pelo Diretor Regional do Sesc São Paulo, Danilo Santos de Miranda.


DIA 29, DOMINGO, 20HS

05 – A POÉTICA DO MAL (52 min.)
A montagem de Paraíso, Zona Norte, em 1989, revela a complexidade do sistema criativo implementado no CPT – Centro de Pesquisa Teatral envolvendo não apenas o ator, mas também cenógrafos, iluminadores e sonoplastas. A abordagem filosófica desse espetáculo e dos seguintes (Nova Velha Estória, Trono de Sangue, Vereda da Salvação, Gilgamesh, Drácula e Outros Vampiros e Fragmentos Troianos) é exposta por Antunes Filho, abordando as reflexões sociais, éticas e metafísicas que o motivaram à criação. Os meios interpretativos desenvolvidos são comentados pelos atores Luis Melo, Rita Martins, Marlene Fortuna, Laura Cardoso, pelo cenógrafo J. C. Serroni, pelo design sonoro Raul Teixeira, com depoimento da pesquisadora Campbell Britton e comentários do Diretor Regional do SESC SP, Danilo Santos de Miranda.

06 – O MÉTODO (53 min.)
O método desenvolvido para o ator no CPT – Centro de Pesquisa Teatral é apresentado por Antunes Filho e seus atores. Exercícios como Caminhada, Loucura, Funâmbulo e Blues são demonstrados e Antunes explica as conclusões de suas pesquisas, no sentido de que corpo e voz constituem uma unidade. Como trabalhar essa unidade é o fundamento dos exercícios. Cenas de Prêt-à-Porter e Medéia ilustram resultados concretos do sistema, que não se reduz aos exercícios, mas envolve toda a ideologia do Centro de Pesquisa Teatral. O Método é descrito pelos atores Juliana Galdino e Emerson Danesi. Intervenções de Giulia Gam, Luis Melo, Laura Cardoso, Raul Cortez e Marlene Fortuna.

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